I CIPA

 

O I Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto)biográfica nasce pelo desejo demonstrado por pesquisadores de diversos países em estreitarem laços de pesquisa, de tal forma que possa se estabelecer uma rede de pesquisadores, intercontinental, cross-cultural, em investigação (auto)biográfica. Aprofundar a discussão teórico-metodológica desse veio se impõe, de molde a que permita avançar-se teórica e empiricamente sobre a pesquisa (auto)biográfica aplicada a diversos contextos.
Este primeiro evento objetiva, pois, ser um desencadeador no sentido de possibilitar condições concretas de maior aproximação dos pesquisadores de expressão nacional e internacional, já envolvidos, bem como da possibilidade de se ampliar esse universo com a adesão de novos participantes, nessa busca de trabalho conjunto. Prevê-se que, subseqüentemente, ocorram, com uma freqüência de dois anos as demais edições do presente evento, cada uma em um país diferente.
O primeiro resultado dessa rede internacional – em formação – de pesquisadores se obvia pela edição do livro, com 600 páginas, intitulado “A Aventura (Auto)biográfica – teoria e empiria”, lançado no presente congresso.
O I Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto)biográfica constitui-se de uma Conferência de Abertura, de Mesas, com a participação dos pesquisadores/autores do livro, oriundos de diferentes estados e cidades de nosso país e de diversos países, a saber: Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América do Norte, Inglaterra, Israel, Itália, Portugal e de Painéis formados por 70 trabalhos, de pesquisadores de diversos estados brasileiros, aceitos mediante inscrição de participantes e avaliados pelos integrantes da Comissão Organizadora do evento. Além disso, há momentos de reunião para estreitar a rede de pesquisadores de modo a poder se estruturar um trabalho de conjunto mais articulado. O referido livro é resultante, ainda, de pesquisas mais individualizadas; a articulação proposta como principal objetivo do presente congresso vai justamente na linha de se obviarem condições de uma parceria que possibilite pesquisas conjuntas entre os pesquisadores da rede.
O veio teórico-metodológico em pesquisa (auto)biográfica tem tomado maior vulto, especialmente a partir das últimas três décadas do século passado Esse veio de pesquisa teve uma importante expressão nas duas décadas iniciais daquele século, mais no sentido de "dar voz" aos excluídos dessa possibilidade (imigrantes, excluídos sociais), tendo na escola de Chicago, a sua maior expressividade. Volta, depois de um período de escassa ou nula atividade, com um outro sentido, em especial como uma possibilidade de essencial contribuição formativa e de construção identitária do sujeito, ao lado de possibilitar uma construção histórica por dentro do que ficou obnubilado pela prática historiográfica tradicional, tendendo a uma maior afirmação nas décadas mais recentes. Daí a importância do evento que ora se propõe. A pesquisa (auto)biográfica – com Histórias de Vida, Autobiografias, Memoriais, Diários – não obstante se utilize de diversas fontes, tais como narrativas, história oral, epístolas, fotos, vídeos, filmes, documentos em geral, depende da memória. Esta é componente essencial na característica do (a) narrador (a) na (re)construção de sua identidade narrativa e vivencial. Esta também é componente essencial com que o pesquisador trabalha para poder (re)construir elementos de análise que possam auxiliá-lo na compreensão de seu objeto de estudo, ao tentar articular memória e conhecimento, procurando edificar uma "arqueologia da memória". O método autobiográfico se constitui, dentre outros elementos, pelo uso de narrativas produzidas por solicitação de um pesquisador, estabelecendo, pesquisador e entrevistado, "uma forma peculiar de intercâmbio que constitui todo o processo de investigação" (Moita, 1995.p.258), com a intencionalidade de construir uma memória pessoal ou coletiva procedente no tempo histórico. Ao trabalhar com metodologia e fontes dessa natureza, o pesquisador conscientemente adota uma tradição em pesquisa que reconhece ser a realidade social multifacetária, socialmente construída. Por esta razão, sabe-se, desde o início, trabalhando antes com emoções e intuições do que com dados exatos e acabados; com subjetividades, portanto, antes do que com o objetivo. No entanto, as narrativas permitem, dependendo do modo como nos são relatadas, universalizar as experiências vividas nas trajetórias de nossos informantes. Nessa perspectiva, Denzin (1984,p.32) nos ensina que "As pessoas comuns universalizam, através de suas vidas e de suas ações, a época histórica em que vivem". Comungamos com Moita (1995) que considera a pesquisa (auto)biográfica a metodologia com potencialidades de diálogo entre o individual e o sociocultural, pois "põe em evidência o modo como cada pessoa mobiliza seus conhecimentos, os seus valores, as suas energias, para ir dando forma à sua identidade, num diálogo com os seus contextos" (p. 113).
O I Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto)biográfica se propõe, entre outros objetivos, já referidos, a uma reflexão que leve ao aprofundamento dos fundamentos que sustentam esse veio de pesquisa, dos quais acabamos de apresentar uma breve referência e à discussão de sua aplicabilidade, justamente no momento em que a pesquisa (auto)biográfica busca maior afirmação no mundo acadêmico nacional e internacional. Tais objetivos falam por si, quando se trata de aludir à importância do evento que ora se realiza.
Por acreditarem na substantiva importância desse evento, organismos de fomento à pesquisa e instituições tornaram possível sua realização. Cabe, portanto destacar o precioso apoio do CNPq, da CAPES e da FAPERGS e o espírito de colaboração que irmanou sociedades de pesquisa e universidades co-irmãs – SBHE, ASPHE, PUC, UFRGS, UFSM e UNISINOS – condição sine qua non para torná-lo realidade. Não podemos deixar de aqui registrar a elevada adesão de pesquisadores de diversos estados do Brasil que enviaram seus trabalhos para apresentação em Painéis (se levarmos em conta a especificidade do veio teórico-metodológico em discussão). Certamente, em muito eles colaborarão para que os objetivos deste I Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto)biográfica se concretizem.

Porto Alegre, 08 de setembro de 2004

Profª. Drª. Maria Helena Menna Barreto Abrahão
Presidente do I Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto)biográfica


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